Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Redenção

Quatro frentes do governo brasileiro para reagir ao tarifaço de Trump

O governo brasileiro definiu e está implementando uma estratégia com quatro frentes para reagir ao tarifaço imposto ao Brasil pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. As informações foram apuradas com membros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Essas frentes estão sendo desenvolvidas de maneira simultânea e contemplam ações de curto, médio e longo prazos. A partir de informações obtidas com membros do gestão federal, é possível compreender com mais clareza o escopo de cada uma dessas linhas de atuação.

A primeira frente, considerada prioritária desde o início da crise comercial em abril, quando foi anunciada a primeira tarifa adicional de 10% sobre produtos brasileiros, é a da negociação direta com Washington.

O Brasil continua tentando abrir canais de diálogos com as autoridades dos EUA, mesmo diante das negativas e resistências do governo Trump. A intenção é, no mínimo, suavizar os impactos das medidas — por exemplo, com a retirada de mais setores da lista de produtos sobretaxados.

A segunda frente é a mitigação dos efeitos internos das tarifas. Desde a imposição da sobretaxa de 40% no início de julho, seguida da assinatura de uma ordem executiva que formalizou o novo regime tarifário, o governo passou a identificar os setores mais impactados pelas ações americanas.

A terceira frente é a tentativa de diversificar mercados e parceiros comerciais. Integrantes do governo ressaltam que isso vem sendo feito desde o início deste século, com a tentativa de reduzir a dependência do Brasil a poucos mercados.

A última frente é a eventual retaliação comercial, que, por ora, tem sido evitada.

No entanto, o governo já iniciou estudos técnicos para avaliar mecanismos de reciprocidade, caso as negociações com os Estados Unidos não avancem ou o presidente Trump decida tomar novas medidas contra o país.

(Por CNN Brasil/ Américo Martins. Foto: Montagem sobre foto / Marina Ramos / Câmara dos Deputados / SAUL LOEB / AFP)