Sábado, 7 de março de 2026
Redenção

Lula e Trump: entenda como funcionam as ligações entre presidentes

A nota oficial do governo brasileiro sobre o telefonema entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na manhã da última segunda-feira (6), cita que os dois chefes de Estado trocaram telefones para “estabelecer via direta de comunicação”.

A iniciativa partiu de Lula. O petista afirmou que ele e Trump trocaram “telefones pessoais” e que os dois “não precisam de intermediário para fazer coisas boas para o Brasil e para os Estados Unidos”.

A diplomacia segue um protocolo de tratativas para que uma ligação oficial entre dois chefes de Estado aconteça.

O presidente do Brasil não tem um celular particular. O contato que ele passou para Donald Trump foi o do embaixador Fernando Igreja, chefe do cerimonial do Palácio do Planalto.

Interlocutores de Lula afirmam que o telefone disponibilizado por Trump também foi o de um assessor muito próximo ao presidente norte-americano.

No Brasil, é comum que contatos desse tipo ocorram com ligações feitas a partir de telefones de assessores pessoais ou ajudantes de ordem, que acompanham o dia a dia do presidente e, entre outras atribuições, atendem ou efetuam ligações e passam o aparelho para o presidente.

Passo a passo de ligações entre chefes de Estado

Segundo auxiliares do Palácio do Planalto e diplomatas, para um telefonema formal entre presidentes ocorrer, existe uma espécie de protocolo de negociação. E, no dia da ligação efetivamente, um roteiro deve ser seguido.

A negociação, via de regra, passa pelos seguintes trâmites:

primeiramente, um dos lados deve manifestar o desejo de conversar

havendo interesse da outra parte, começam as tratativas com as assessoriais presidenciais

a pauta da ligação é analisada e pode ser ajustada

as assessorias presidenciais fazem os primeiros contatos

uma data para a conversa é costurada a depender das agendas dos presidentes.

A realização do telefonema oficial pode ocorrer dias, semanas ou até meses após o início da negociação. No entanto, esse tempo pode ser menor caso haja alguma proximidade entre os presidentes e da urgência do tema.

Na data marcada para o telefonema, não há improviso. Um novo script deve ser seguido:

Normalmente, quem pede a ligação é quem começa a falar

Depois, passa a palavra para outro lado. Sempre com intérprete

As ligações podem ser feitas no Palácio do Planalto ou no Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente brasileiro

As conversas oficiais podem ser por telefonema ou videochamada e ocorrem num local chamado “sala de situação”.

No Planalto, essa sala fica ao lado do gabinete presidencial. No Alvorada, também há um espaço destinado para essas reuniões.

Participam da conversa, além dos dois presidentes, tradutor, chanceler, e, eventualmente, ministros envolvidos no assunto

Por Isabella Calzolari, Fernanda Rouvenat, Delis Ortiz, g1, GloboNews e TV Globo — Brasília. Foto: Adriano Machado/Reuters; Evelyn Hockstein/Reuters)