Seis municípios do Pará estão entre os mais violentos da Amazônia Legal: Cumaru do Norte, Novo Progresso, Mocajuba, São Félix do Xingu, Altamira e Itaituba.
Estudo divulgado nesta quarta-feira (19) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) lista as 20 cidades mais violentas da Amazônia Legal, onde a presença de facções cresceu e chegou a quase metade das 772 cidades da região.
Nove estados compõem a Amazônia Legal Brasileira: Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.
Os municípios foram divididos em quatro escalas, conforme a quantidade de moradores que possuem:
Pequeno 1: até 20 mil habitantes;
Pequeno 2: de 20 mil a 50 mil habitantes;
Médio: de 50 mil a 100 mil habitantes;
Grande: acima de 100 mil habitantes.
O FBSP considerou as taxas de mortes violentas intencionais dos últimos três anos para analisar as taxas a cada grupo de 100 mil habitantes.
Os números indicaram os seguintes municípios com maiores taxas:
Vila Bela da Santíssima Trindade (MT): possui posição geográfica estratégica para o tráfico de drogas pela proximidade com a Bolívia;
Nobres (MT): sob influência do CV, registrou conflitos entre a facção e o PCC;
Calçoene (AP): é atravessada pela BR-156, que liga Macapá ao Oiapoque. Estrada é usada como corredor estratégico para o tráfico de drogas;
Alto Paraguai (MT): próximo das BR-163 e BR-364, é dominado pela Tropa do Castelar (dissidência do Comando Vermelho), fundada no estado do Mato Grosso;
Cumaru do Norte (PA): dinâmica da violência no município está ligada a conflitos agrários, garimpo, presença de facções e desmatamento acelerado;
Rio Preto da Eva (AM): disputas entre PCC e CV ao longo de 2024;
Barra do Bugres (MT): posição geográfica estratégica para o escoamento de drogas vindas da Bolívia. É disputada por CV e PCC;
Aripuanã (MT): tem a presença de dinâmicas criminosas como garimpo ilegal, tráfico de drogas e possui terra indígena em seu território, onde o Comando Vermelho explora garimpos;
Novo Progresso (PA): cidade atravessada pela BR-163, usada como corredor para o escoamento do tráfico de drogas e registra conflitos fundiários;
Mocajuba (PA): parte da violência pode ser atribuída ao CV, mas violência policial provocou metade (11) das mortes violentas intencionais no município;
São Félix do Xingu (PA): segundo o FBSP, a cidade apresenta “sobreposição crônica” de desmatamento, conflitos fundiários e presença de facções;
Coari (AM): localizada em posição estratégica na região do médio rio Solimões, serve como um corredor hidroviário para o escoamento de drogas do Peru e da Colômbia;
Iranduba (AM): o município compõe a região metropolitana de Manaus, absorvendo em parte as dinâmicas de violência presentes na capital e tem forte atuação do CV;
Tabatinga (AM): município localizado na tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia. Tem localização estratégica devido à proximidade dos países produtores de cocaína e é considerada uma das mais importantes entradas de drogas no país;
Santa Inês (MA): o município é cortado por duas rodovias federais, a BR-316 e a BR-222, pela Estrada de Ferro Carajás, e possui um aeroporto regional. É visto como estratégico para envio de drogas e outros produtos de crimes;
Sorriso (MT): localização estratégica pela divisa com a Bolívia. CV e PCC disputam o controle do território desde 2023;
Santana e Macapá (AP): municípios concentram cerca de 75% da população do Amapá e 79% das mortes violentas intencionais do estado. São complementares: Macapá é capital e centro administrativo, já Santana, é uma cidade portuária e logística. Segundo FBSP, a localização “facilita o crime transfronteiriço”, incluindo o tráfico de drogas, de pessoas e ilícitos ambientais.
Altamira (PA): maior município do país em extensão territorial, a cidade tem registro histórico de grilagem e desmatamento ilegal, com disputas entre CCA e CV pelo controle do crime local;
Itaituba (PA): Fórum afirma que cidade está em eixo estratégico do rio Tapajós, o que lhe confere “características estruturais que favorecem a expansão da economia ilegal relacionada ao garimpo e outros crimes ambientais”, além da presença de facções criminosas.
Esta é a 4ª edição do estudo Cartografias da Violência na Amazônia, que conta com parceria do Instituto Clima e Sociedade, do Instituto Itausa, do Instituto Mãe Crioula e do Laboratório Interpretativo Laiv.
(Por Arthur Stabile, g1. Foto: Divulgação)
