Segunda-feira, 15 de junho de 2026
Redenção

Seis municípios do Pará estão entre os mais violentos da Amazônia Legal, segundo Fórum de Segurança Pública

Seis municípios do Pará estão entre os mais violentos da Amazônia Legal: Cumaru do Norte, Novo Progresso, Mocajuba, São Félix do Xingu, Altamira e Itaituba.

Estudo divulgado nesta quarta-feira (19) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) lista as 20 cidades mais violentas da Amazônia Legal, onde a presença de facções cresceu e chegou a quase metade das 772 cidades da região.

Nove estados compõem a Amazônia Legal Brasileira: Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.

Os municípios foram divididos em quatro escalas, conforme a quantidade de moradores que possuem:

Pequeno 1: até 20 mil habitantes;

Pequeno 2: de 20 mil a 50 mil habitantes;

Médio: de 50 mil a 100 mil habitantes;

Grande: acima de 100 mil habitantes.

O FBSP considerou as taxas de mortes violentas intencionais dos últimos três anos para analisar as taxas a cada grupo de 100 mil habitantes.

Os números indicaram os seguintes municípios com maiores taxas:

Vila Bela da Santíssima Trindade (MT): possui posição geográfica estratégica para o tráfico de drogas pela proximidade com a Bolívia;

Nobres (MT): sob influência do CV, registrou conflitos entre a facção e o PCC;

Calçoene (AP): é atravessada pela BR-156, que liga Macapá ao Oiapoque. Estrada é usada como corredor estratégico para o tráfico de drogas;

Alto Paraguai (MT): próximo das BR-163 e BR-364, é dominado pela Tropa do Castelar (dissidência do Comando Vermelho), fundada no estado do Mato Grosso;

Cumaru do Norte (PA): dinâmica da violência no município está ligada a conflitos agrários, garimpo, presença de facções e desmatamento acelerado;

Rio Preto da Eva (AM): disputas entre PCC e CV ao longo de 2024;

Barra do Bugres (MT): posição geográfica estratégica para o escoamento de drogas vindas da Bolívia. É disputada por CV e PCC;

Aripuanã (MT): tem a presença de dinâmicas criminosas como garimpo ilegal, tráfico de drogas e possui terra indígena em seu território, onde o Comando Vermelho explora garimpos;

Novo Progresso (PA): cidade atravessada pela BR-163, usada como corredor para o escoamento do tráfico de drogas e registra conflitos fundiários;

Mocajuba (PA): parte da violência pode ser atribuída ao CV, mas violência policial provocou metade (11) das mortes violentas intencionais no município;

São Félix do Xingu (PA): segundo o FBSP, a cidade apresenta “sobreposição crônica” de desmatamento, conflitos fundiários e presença de facções;

Coari (AM): localizada em posição estratégica na região do médio rio Solimões, serve como um corredor hidroviário para o escoamento de drogas do Peru e da Colômbia;

Iranduba (AM): o município compõe a região metropolitana de Manaus, absorvendo em parte as dinâmicas de violência presentes na capital e tem forte atuação do CV;

Tabatinga (AM): município localizado na tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia. Tem localização estratégica devido à proximidade dos países produtores de cocaína e é considerada uma das mais importantes entradas de drogas no país;

Santa Inês (MA): o município é cortado por duas rodovias federais, a BR-316 e a BR-222, pela Estrada de Ferro Carajás, e possui um aeroporto regional. É visto como estratégico para envio de drogas e outros produtos de crimes;

Sorriso (MT): localização estratégica pela divisa com a Bolívia. CV e PCC disputam o controle do território desde 2023;

Santana e Macapá (AP): municípios concentram cerca de 75% da população do Amapá e 79% das mortes violentas intencionais do estado. São complementares: Macapá é capital e centro administrativo, já Santana, é uma cidade portuária e logística. Segundo FBSP, a localização “facilita o crime transfronteiriço”, incluindo o tráfico de drogas, de pessoas e ilícitos ambientais.

Altamira (PA): maior município do país em extensão territorial, a cidade tem registro histórico de grilagem e desmatamento ilegal, com disputas entre CCA e CV pelo controle do crime local;

Itaituba (PA): Fórum afirma que cidade está em eixo estratégico do rio Tapajós, o que lhe confere “características estruturais que favorecem a expansão da economia ilegal relacionada ao garimpo e outros crimes ambientais”, além da presença de facções criminosas.

Esta é a 4ª edição do estudo Cartografias da Violência na Amazônia, que conta com parceria do Instituto Clima e Sociedade, do Instituto Itausa, do Instituto Mãe Crioula e do Laboratório Interpretativo Laiv.

(Por Arthur Stabile, g1. Foto: Divulgação)