Quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026
Redenção

Consciência negra: qual a origem da data celebrada em 20 de novembro?

O Dia Nacional de Zumbi dos Palmares e da Consciência Negra, celebrado no 20 de novembro, é feriado em todo o Brasil desde o final de 2023. Antes disso, somente pouco mais de mil cidades (das cerca de 5,5 mil que há no país) observavam a data.

A mudança pode até ser recente, mas o Dia da Consciência Negra é um marco no calendário do movimento negro brasileiro há mais de 40 anos.

A história do 20 de novembro começa na Porto Alegre de 1971. Foi naquele ano que surgiu o grupo Palmares, formado por quatro universitários negros gaúchos: Oliveira Silveira, Antônio Carlos Côrtes, Ilmo da Silva e Vilmar Nunes.

Os quatro se incomodavam com a maneira como a historiografia oficial, especialmente naqueles anos de ditadura militar, retratava o fim da escravidão no Brasil. A visão mais propagada nos livros da época dava destaque ao papel da princesa Isabel como uma espécie de “redentora”. E tratava a população negra como uma beneficiária passiva da abolição.

O discurso oficial ignorava a atuação de diversas lideranças negras que, ao longo de séculos, atuaram na luta contra a escravização. Nomes como o do engenheiro negro André Rebouças, cujo projeto de abolição incluía um plano de distribuição de terras à população liberta.

Outra figura posta em segundo plano era a do líder quilombola Zumbi dos Palmares. Zumbi nasceu livre em meados do século XVII, mas foi capturado e escravizado. O quilombo de Palmares, que ele liderou, foi o maior do período colonial: calcula-se que chegou a abrigar, de uma vez, mais de 20 mil pessoas negras e indígenas.

Por mais de 100 anos, Palmares enfrentou investidas das tropas coloniais. Dadas as suas dimensões, funcionava como uma espécie de Estado independente dentro do Brasil (que, na ocasião, era uma colônia portuguesa).

O quilombo de Palmares resistiu até 1695, quando bandeirantes paulistas mataram Zumbi no dia 20 de novembro daquele ano.

Quase três séculos depois, o advogado Antônio Carlos Côrtes encontraria por acaso, na biblioteca municipal de Porto Alegre, um livro que coroaria as discussões que ele e os amigos tinha a respeito da luta negra contra a escravidão. “O Quilombo de Palmares“, de Edison Carneiro, recontava a historia da luta Palmarina. E descrevia Zumbi como uma liderança corajosa e hábil.

(Brasil de Direitos/Rafael Ciscati. Foto: divulgação)