O Tocantins tem pelo menos três juízes e um desembargador afastados dos cargos por investigações que apuram desde assédio até supostas vendas de decisões judiciais. Alguns casos, como nas investigações da Operação Máximus, são apurados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O afastamento mais recente foi do juiz Jefferson David Asevedo Ramos, da comarca de Augustinópolis, pelo pleno do Tribunal de Justiça do Tocantins, em outubro de 2025.
Segundo a apuração da TV Anhanguera, ele foi denunciado por assédio moral. O caso é investigado pela corregedoria do Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO) e o afastamento é por 60 dias. A defesa dele foi procurada, mas não se manifestou.
Em julho, os desembargadores também determinaram o afastamento do juiz Adriano Morelli, titular da 1ª Vara Cível e de Recuperações Judiciais de Gurupi, no sul do estado, por 140 dias. Ele teria descumprido uma decisão colegiada de instância superior e documentos apontam indícios de favorecimento a uma das partes envolvidas em um processo.
A defesa do juiz afirmou que o afastamento é uma medida temporária para não interferir nas investigações e não representa culpa. Disse que o processo está na fase final e aguarda, com serenidade, uma decisão do Tribunal de Justiça.
Para especialistas, a sequência de afastamentos causa uma crise de credibilidade e reforça a necessidade de transparência e controle dentro do judiciário.
“A gente precisa que haja essa proteção e essa conduta mais estreita por parte do magistrado para que a gente possa confiar, de fato, na Justiça. A própria seriedade da estrutura judiciária fica comprometida com comportamentos que não estão de acordo com o próprio direito”, comentou a professora Tatiana Cosate, do curso de Direito da Unitins.
(Por Patrício Reis, Ana Paula Rehbein, g1 Tocantins e TV Anhanguera. Foto: Elias Oliveira/Cecom TJ-TO)
