O surto de doença de chagas registrado em Ananindeua, na Grande Belém, tem impactado a rotina de comerciantes e consumidores de açaí. Apenas em janeiro de 2026, o município registrou quatro mortes, número maior que todos os óbitos registrados nos últimos cinco anos.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), foram 26 casos notificados em dezembro e 14 em janeiro. Dados da Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) mostram que até março de 2025 foram registrados 45 casos em todo o estado.
O Ministério da Saúde reconhece que o município enfrenta um surto da doença, onde a principal suspeita de transmissão está associada a falhas no manuseio e na limpeza do açaí.
Dados da Secretaria de Saúde Pública do Pará (Sespa) mostram que o número de casos registrados até o momento em Ananindeua, apenas em janeiro, representa cerca de 30% de todos os casos de 2025.
Comerciantes preocupados
Entre os vendedores, a percepção é de diminuição nas vendas após a divulgação dos casos. Proprietário de um ponto de açaí no bairro do 40 Horas, o comerciante Júnior Silveira afirma que a procura diminuiu desde o início de 2026.
“Sempre que surgem casos da doença, as vendas caem. Trabalho há sete anos com açaí e isso acontece quase todo ano”, relata.
Júnior relata, ainda, que os consumidores passaram a questionar com mais frequência sobre a higiene e o preparo do produto.
Para tentar manter a confiança dos clientes, o ponto reforçou os cuidados com a higiene e o preparo do produto.
Segundo o comerciante, o açaí passa por um processo rigoroso de higienização antes de chegar ao consumidor, que inclui peneiração, lavagens sucessivas, uso de solução adequada para desinfecção, branqueamento, resfriamento e batimento com água filtrada.
(Por g1 Pará e TV Liberal — Belém. Foto: Divulgação)
