Sábado, 2 de maio de 2026
Redenção

Investigação sobre repasse de R$ 5 milhões a time de futebol no TO começou após movimentações suspeitas

A investigação sobre um suposto esquema que teria desviado mais de R$ 5,1 milhões em recursos públicos da Prefeitura de Tocantinópolis teve início após um relatório apontar movimentações consideradas atípicas nas contas bancárias dos investigados. Os valores foram repassados pelo município para o Tocantinópolis Esporte Clube entre 2009 e 2024, segundo a Polícia Civil.

Na quinta-feira (12), a PC cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços do prefeito Fabion Gomes (PL) e do presidente do Tocantinópolis, o sargento da PM Leandro Pereira de Sousa. A polícia também esteve na sede do clube, em secretarias do município e no gabinete do prefeito.

O prefeito Fabion Gomes (PL) informou, em vídeo divulgado nas redes sociais, que os pagamentos ao time foram cancelados durante sua gestão por ordem judicial, mas os repasses de gestões anteriores foram feitos com base em uma lei municipal.

O presidente do Tocantinópolis, Leandro Pereira, informou que o clube não tem convênio e não recebe repasses da prefeitura desde que assumiu a presidência em janeiro de 2025.

O esquema é investigado pelos crimes de peculato, falsidade ideológica, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Segundo a polícia, o município fez repasses ao clube entre 2009 e 2024, mesmo diante de decisões reiteradas do Tribunal de Contas do Estado do Tocantins (TCE/TO) que apontavam a ilegalidade dessas transferências.

Conforme a decisão que autorizou a operação, um releatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou saques elevados, circularidade de valores entre as contas e recebimentos incompatíveis com a renda declarada.

Após entrar na conta da entidade esportiva, o dinheiro era supostamente redistribuído entre dirigentes e terceiros. O documento afirma que havia sinais claros de ocultação e dissimulação da origem ilícita, caracterizando indícios de lavagem de capitais.

Entenda o esquema
As apurações da Polícia Civil, fundamentadas em relatórios do Coaf, apontaram que o desvio de verbas era estruturado em três eixos principais:

Repasses irregulares: Gestores municipais autorizavam a transferência de recursos públicos ao clube, ignorando decisões do Tribunal de Contas do Estado (TCE/TO) que já haviam apontado a ilegalidade de tais atos.
Entidade de fachada: Para a polícia, o clube era utilizado como uma estrutura de fachada, com a falsificação de documentos, como atas e recibos, para simular a legalidade das transferências, que não possuíam relação com o interesse público ou atividades esportivas reais.
Lavagem de dinheiro: Após chegarem às contas do clube, os valores eram redistribuídos para contas pessoais de dirigentes e terceiros, além de serem realizados saques em espécie para dificultar o rastreamento do dinheiro.
Histórico de irregularidades
Segundo a polícia, o fluxo de repasses investigado ocorre de forma contínua desde 2009, estendendo-se até 2024. As irregularidades eram de conhecimento das autoridades desde 2007, quando o TCE/TO julgou irregular a prestação de contas daquele ano devido à ausência de autorização legal para as transferências.

(Por Brenda Santos, g1 Tocantins, TV Anhanguera. Foto: Divulgação/PCTO)