Um ato na manhã de domingo (24) marcou os 9 anos do Massacre de Pau D’ Arco, no Pará, que deixou 10 pessoas mortas na antiga fazenda Santa Lúcia, no sul do Pará. Quase dez anos depois, nenhum dos policiais envolvidos foi julgado.
Sobreviventes da chacina disseram que as vítimas não tiveram chance de defesa, porque os policiais já chegaram atirando.
A manifestação foi organizada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Xinguara e a Associação de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Nova Vitória, numa programação que durou três dias. Um dos momentos simbólicos foi a caminhada de memória que refez o mesmo percurso percorrido pelas vítimas no dia 24 de maio de 2017.
A caminhada seguiu até o memorial erguido no local das mortes, onde foram feitas homenagens às vítimas e em defesa da justiça, da Reforma Agrária e do fim da violência no campo.
Os familiares e organizações denunciam que, quase uma década depois, o caso segue marcado pela impunidade. O processo judicial também segue sem definição no Tribunal de Justiça do Pará.
Além da cobrança por justiça, o ato também destacou a violência no campo brasileiro. Dados do Relatório Conflitos no Campo Brasil 2025 apontam a continuidade das ameaças, assassinatos, expulsões e violações de direitos contra trabalhadores rurais, povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais em diferentes regiões do país.
O ato este ano ocupou o território reconhecido como Projeto de Assentamento Jane Júlia, criado pelo Incra em janeiro de 2026, hoje ocupada por famílias de agricultores.
A programação dos nove anos do massacre incluiu ainda feira da agricultura familiar, com venda de produtos diversos cultivados no assentamento por cerca de 200 famílias, atividades de formação agroecológica e momentos de celebração e memória organizados pelas famílias do assentamento.
(Por g1 Pará — Belém. Foto: Reprodução / CPT)
