Quarta-feira, 3 de junho de 2026
Redenção

Trabalho forçado: veja alegações dos EUA para propor nova taxa de 12,5% ao Brasil

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu, na terça-feira (2/6), que o Brasil falhou em barrar a importação de produtos feitos com trabalho forçado, o que criaria concorrência desleal e justificaria nova taxa a produtos brasileiros. A tarifa adicional proposta é de 12,5%.

O documento elenca a presença de trabalho forçado na produção de gado no Brasil, inclusive citando a presença de produtores agropecuários na Lista Suja do Trabalho Escravo. Também afirma que 90% das exportações de carne bovina brasileira congelada, em 2025, foram para países que estão sendo investigados, como para a China.

No relatório, é feita correlação entre o aumento das exportações do Brasil para a China e a queda das norte-americanas para o mesmo país. “Em volume, as exportações brasileiras de carne bovina congelada para a China aumentaram mais de 17 vezes, passando de 94 mil toneladas métricas em 2015 para quase 1.650 mil toneladas métricas em 2025.

As exportações brasileiras de carne bovina congelada para a China superaram em muito as exportações americanas de carne bovina congelada para a China, que têm apresentado uma tendência de queda nos últimos anos”, destaca.

Outros produtos exportados pelo Brasil também são elencados, como o algodão, que estaria indo para países investigados. As importações brasileiras também foram analisadas. Segundo o documento, o Brasil e outros países investigados importam os mesmos produtos de países com presença de trabalho escravo e dos Estados Unidos, o que seria concorrência desleal.

“Por exemplo, entre 2021 e 2025, as economias investigadas importaram arroz de Mianmar, tabaco do Malawi ou algodão da China, enquanto, ao mesmo tempo, importaram um ou mais desses produtos dos Estados Unidos. Consequentemente, parece haver competição nesses mercados entre as exportações dos EUA e os bens importados que apresentam risco de trabalho forçado”, diz.

(Metrópoles/Thays Martins. Foto: Instagram/Reprodução)