Quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
Redenção

Filhos suspeitos de encomendar a morte do pai para ficar com herança bilionária tentaram interditar fazendeiro antes do crime, diz delegado

Os filhos suspeitos de encomendar a morte do pai para ficar com a herança bilionária tentaram interditar o fazendeiro e empresário Jefferson Cury, 60 dias antes do crime, informou o delegado Adelson Candeo, responsável pela investigação. Além dos dois filhos, também foram presos um corretor de imóveis e três funcionários que trabalhavam para o fazendeiro.

O crime aconteceu em novembro de 2023, em Quirinópolis, no sudoeste do estado. As prisões ocorreram na quarta-feira (29) em São Paulo e no Mato Grosso do Sul. O executor dos disparos não foi identificado até o momento.

Segundo o delegado, os filhos não conseguiram a liminar favorável à interdição. Após a tentativa frustrada de interdição, o fazendeiro assinou um inventário, revogando o anterior, que deixava 22 alqueires de terra para os funcionários da fazenda.

“Ele revoga esse inventário e deixa também os caseiros revoltados e vai assinar um outro testamento repassando todo seu patrimônio para uma holding, que é uma CNPJ, dos quais os filhos não são sócios”, explicou o delegado. O fazendeiro iria assinar esse testamento no dia 29 de novembro de 2023 e ele foi morto na noite do dia anterior.

O delegado contou que os filhos queriam a herança e o executor tinha uma dívida com o fazendeiro no valor de R$ 1,7 milhão. “Ele fez uma ordenha para o afiliado dele ganhar dinheiro com a vaca. Mas o afiliado vende as vacas, não paga ele e vira uma confusão. Ele passa a exigir, então, o dinheiro de volta. O afiliado faz um cheque de R$ 1,7 milhão, entrega para ele, mas não cobre o cheque”, relatou.

O crime aconteceu por volta das 22h20 do dia 28 de novembro de 2023. O fazendeiro Jefferson e seu advogado foram abordados em uma propriedade rural, às margens da GO-206. O fazendeiro morreu com um tiro no rosto, enquanto o advogado sobreviveu após ser baleado na cabeça.

Segundo a investigação, um dos suspeitos chegou a dizer, logo após os disparos: “Agora a dívida está paga”, em referência à dívida de R$ 1,7 milhão do filho de um caseiro com o empresário.

(Por Tatiane Barbosa, Letícia Graziely, g1 Goiás. Foto: Divulgação/PM)