Depois de mais de 50 anos desde que humanos estiveram perto da Lua, a missão Artemis II promete abrir um novo capítulo da exploração espacial. Mas, antes de embarcarem rumo ao satélite natural, os quatro astronautas vivem uma rotina intensa e exaustiva — marcada por treinamento extremo, ambientes apertados e zero margem para falhas.
A cápsula Orion, que será o lar da tripulação por 10 dias, tem apenas 9 metros cúbicos, tamanho equivalente ao de duas vans pequenas. Nesse espaço mínimo, cada movimento é calculado, repetido e ensaiado inúmeras vezes para garantir que nada saia do script quando estiverem a 400 mil quilômetros da Terra.
Após a matéria do Fantástico ir ao ar no último domingo (1), foi anunciado o adiamento da missão lunar para março, após a identificação de um vazamento de hidrogênio líquido durante um teste técnico.
Simuladores, silêncio e precisão absoluta
Desde 2023, os astronautas treinam em simuladores que reproduzem fielmente a rotina dentro da Orion. Ali, aprendem a comer, dormir, operar sistemas vitais e até enfrentar cenários extremos — como a temida perda total de comunicação com o controle da NASA. Em uma missão que viajará até o lado oculto da Lua, isso não é apenas possível: é inevitável.
A preparação não se limita à cápsula. A rotina inclui voos em jatos supersônicos, sessões de estudo de geologia em ambientes de clima extremo e longos períodos em tanques de águas profundas — usados para simular a sensação de microgravidade e a dificuldade de se mover em trajes espaciais.
Cada exercício tem o objetivo de testar resistência, tomada de decisão e capacidade de manter a calma em condições adversas. A demanda é tão intensa que os próprios astronautas admitem: não existe espaço para improviso.
Durante os 10 dias de missão, a nave fará um trajeto que lembra um “8” no espaço. No ponto mais distante, a cápsula chegará a 7 mil quilômetros além da Lua, ultrapassando o recorde da Apollo 13 e tornando a tripulação os seres humanos que mais longe estiveram da Terra.
Se tudo ocorrer como planejado, o silêncio da Lua — que dura meio século — será rompido mais uma vez. E, com isso, a humanidade dará um passo decisivo rumo ao seu próximo endereço no futuro.
(Por Fantástico. Foto: divulgação/Nasa)
