O maior acidente radiológico da história, ocorrido em Goiânia em setembro de 1987, deixou quatro mortos e acumulou mais de 6 mil toneladas de lixo. Segundo uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e divulgada pelo Governo de Goiás, cerca de 10 mil pessoas residiam ou trabalhavam nas áreas próximas onde o acidente aconteceu.
Mesmo após quase 40 anos do ocorrido, mais de mil pessoas ainda frequentam o Centro de Assistência ao Radioacidentado (Cara), órgão criado em 2011 e que assumiu o lugar da extinta Superintendência Leide das Neves (Suleide), prestando apoio à população afetada pelo material radioativo césio-137.
O acidente voltou a ganhar repercussão após o lançamento de uma série na Netflix que retrata a história e os envolvidos.
As medidas tomadas para conter a radiação em áreas afetadas ainda podem ser vistas nitidamente pela cidade. Entre os locais, estão os ferros-velhos por onde as partes do equipamento de radiologia encontrado com a substância passaram, além da casa de uma das famílias afetadas.
As toneladas de lixo acumuladas durante a descontaminação, incluindo roupas, utensílios domésticos e materiais de construção, foram levadas para um depósito em Abadia de Goiás, onde foram enterrados e concretados.
Pesquisadores acreditam que, mesmo com a redução da radiação nos resíduos, os riscos só devem desaparecer totalmente após 200 anos.
Acidente com césio-137
O incidente com césio-137, um material radioativo usado em máquinas de raio-x, aconteceu em 13 de setembro de 1987, quando dois catadores de recicláveis retiraram e desmontaram parte de um aparelho de uma clínica abandonada.
O objeto foi vendido a um ferro-velho, em que Devair Alves Ferreira era dono, localizado no Setor Aeroporto, onde mais pessoas terminaram de desmontá-lo.
Seis dias depois, seu irmão, Ivo Alves Ferreira, viu a pedra que brilhava à noite. Sem saber que a substância era radioativa e, encantado, levou fragmentos para casa. As 19 gramas do material estavam dentro do cabeçote de chumbo do aparelho.
Além dele, um amigo de Devair, Ernesto Fabiano, também havia levado parte do material para casa e deu um pouco do pó para o irmão, Edson Fabiano, que levou o “presente” para a residência dele, também no Setor Aeroporto.
No mesmo mês, começaram uma série de adoecimentos na região. Foi quando Maria Gabriela Ferreira, uma mulher descrita por quem a conhecia como uma pessoa que vivia pela família, teve um papel crucial na história. Foi ela a primeira pessoa a desconfiar que um objeto encontrado no ferro-velho da família poderia estar ligado aos sintomas que afetavam parentes, vizinhos e até animais de estimação.

(Por Vinicius Moraes, g1 Goiás. Foto: Carlos Costa/ O Popular/Foto: Divulgação/Cnen/ Foto: Sílvio Túlio/G1)
