Sexta-feira, 17 de abril de 2026
Redenção

Massacre de Eldorado dos Carajás completa 30 anos em meio a mais de 200 áreas em conflito agrário no Pará

Trinta anos após o Massacre de Eldorado dos Carajás, no sudeste do Pará, conflitos por terra seguem em larga escala no estado. Levantamento da Comissão Pastoral da Terra (CPT) aponta mais de 200 áreas em situação de disputa, envolvendo cerca de 20 mil famílias.

A data é marcada por atos, marchas e homenagens organizadas por movimentos sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Milhares de pessoas caminham mais de 70 quilômetros entre Curionópolis e Eldorado dos Carajás, refazendo o trajeto percorrido por trabalhadores rurais em abril de 1996.

Na Curva do S, local onde ocorreu o massacre, cruzes e monumentos marcam os pontos onde camponeses foram mortos durante a ação da Polícia Militar.

Na Casa da Memória, familiares preservam histórias das vítimas. Maria Divina, irmã de um dos trabalhadores mortos, contou que o parente havia ido ao local apenas para levar remédio ao pai acampado. “Ele não estava ali para confronto, mas acabou morto”, afirmou.

Em 17 de abril de 1996, 21 trabalhadores rurais sem terra foram mortos durante uma operação da Polícia Militar na PA-150, no trecho conhecido como Curva do S — 19 no local e dois dias depois no hospital. Outras 69 pessoas ficaram feridas.

Três décadas depois, os dados indicam que a violência no campo não cessou. Segundo a Comissão Pastoral da Terra, o Pará está entre os estados com maior número de conflitos agrários no país. Em 2023, o estado ocupou a segunda posição no ranking nacional, atrás da Bahia.

Dados da CPT mostram ainda que, em 40 anos, o Pará registrou 59 conflitos com mortes, somando 317 trabalhadores rurais e lideranças assassinados. Em apenas oito casos houve julgamento de responsáveis.

(G1/Pará. Foto: Marcello Cesae Jr/Agência Brasil)