Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Redenção

20 estados e o DF vão pior em matemática do que o esperado para seus níveis socioeconômicos

Mesmo considerando a realidade de cada região, como dificuldade de acesso à internet ou baixa escolarização dos pais dos alunos, 20 estados e o Distrito Federal tiveram notas de matemática no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) abaixo das esperadas para seus níveis socioeconômicos.

O que é Pisa? É uma avaliação de matemática, de leitura e de ciências, organizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e focada em jovens de 15 anos, de escolas públicas e particulares. Participaram da edição mais recente 91 países. Esse detalhamento do desempenho dos estados brasileiros não era informado desde 2015.

Pesquisadores do Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional), a pedido do g1, adaptaram os resultados estaduais tanto de matemática quanto de leitura e de ciências, considerando, em uma escala padronizada, os seguintes aspectos dos alunos:

“O problema da matemática no Brasil começa muito antes dos 15 anos, porque é uma disciplina progressiva e cumulativa. Se um estudante não compreende bem frações ou proporções, por exemplo, terá dificuldade quando chegar à álgebra e a outros conceitos mais complexos”, explica Katia Smole, diretora do Instituto Reúna.

O Paraná foi líder nos rankings gerais do Brasil no Pisa, divulgados em 8 de setembro. E esse destaque mantém-se mesmo quando o nível socioeconômico é considerado: é o único estado que tem desempenho acima do esperado nas três disciplinas avaliadas.

Roraima aparece entre os piores desempenhos relativos nas três áreas.

Estados nordestinos como Ceará e Piauí superam consistentemente as expectativas, inclusive em matemática. O Ceará obteve 363,3 pontos nesta disciplina — pontuação baixa, quando analisada de modo isolado, mas a segunda melhor do Brasil se o nível socioeconômico for considerado (ficou 10,5 pontos acima da expectativa).

É um contraponto a estados mais ricos, como Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul, que ficaram muito abaixo do previsto.

(Por Luiza Tenente, g1.  Foto: Marcos Araújo/Secom)