Dirigentes de alguns clubes brasileiros intensificaram a movimentação para tentar reverter ou minimizar a decisão do governo federal de proibir as bets, principais patrocinadoras do futebol brasileiro na atualidade. E, na pauta, apareceu uma possibilidade extrema: paralisar o Campeonato Brasileiro.
A possibilidade passou a ser debatida em conversas telefônicas e por mensagens durante a articulação entre os cartolas para boicotar a reunião com integrantes do governo agendada para terça-feira, 29. O encontro foi cancelado depois que boa parte dos presidentes avisou que não iria.
A ameaça de não entrar em campo pelo Brasileirão tem dois alvos. O primeiro é pressionar o governo a ir além do plano apresentado até agora: uma linha de crédito a juros baixos, que já vinha sendo negociada antes do anúncio do fim dos sites de apostas. Os clubes querem, no mínimo, um prazo de transição para o fim da publicidade das empresas, entre seis meses e um ano.
O segundo é fazer com que a CBF, que até agora estava parada em relação ao assunto, entrasse na conversa para ajudar na pressão sobre o governo. E isso parece ter funcionado, já que uma paralisação do Brasileirão neste momento afetaria todo o calendário apertado do futebol nacional até dezembro.
Na terça-feira, o Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional (Sinafut) entrou com um pedido no STF para participar do processo aberto pelas bets, que questionam a medida provisória que proibiu as empresas no país. O Sinafut, que representa clubes e federações, tem forte influência da CBF, o que já foi visto por alguns dirigentes como a entrada da confederação no assunto.
(O Estado de S. Paulo. Foto: CBF/Divulgação)
