Líderes da Câmara dos Deputados e presidentes de partido articulam e pretendem retomar a tramitação de uma proposta que altera a forma de escolha dos deputados e institui o chamado sistema distrital misto.
O principal objetivo é frear a perda de espaço de partidos de centro no parlamento, após o crescimento do Partido Liberal (PL) nas eleições de 2026, que diminuiu o espaço de partidos do Centrão na Câmara e crescimento da ala bolsonarista.
A votação da proposta ainda está em negociação, mas a ideia é que as mudanças nas regras eleitorais comecem a valer integralmente nas eleições de 2034, com uma transição nas próximas eleições nacionais.
Mudança de forças
O PL terminou as eleições com 121 deputados, a maior bancada desde a Constituinte. Há quatro anos, o partido havia conseguido 99 deputados. Com o resultado deste ano, a sigla terá 23,6% das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados.
Distrital, distritão ou distrital misto
Um dos pontos que ainda estão sendo negociados entre os líderes partidários qual modelo será adotado.
Atualmente, deputados são escolhidos de acordo com votos que eles e os seus partidos recebem. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realiza uma conta, chamada de quociente eleitoral, para definir quantos votos cada partido precisa para ter uma cadeira na Câmara dos Deputados. Esse modelo é chamado de sistema proporcional.
Essa fórmula acaba criando os chamados “puxadores de votos” — um candidato que recebe muitos votos e ,indiretamente, contribue para a eleição de candidatos que não obtiveram o número suficiente de votos.
No sistema distrital, cada estado brasileiro é dividido em distritos. Cada distrito elege um número específico de deputados. Os moradores dessa determinada região poderão votar apenas nos candidatos do distrito em que vivem. São eleitos os candidatos os mais votados no distrito.
Mas, buscando manter uma parte do poder dos partidos no processo eleitoral, os deputados estudam criar um modelo misto:
metade das vagas do distrito ficariam com os mais votados;
a outra metade distribuída seguindo uma lista de candidatos definida previamente pelos partidos. As vagas seriam dividas de acordo com a quantidade de votos que as siglas conseguirem. Por exemplo: se um partido obtem votos para eleger quatro deputados, são eleitos os quatro primeiros nomes da lista.
(Por Gabriella Soares, Elisa Clavery, g1 e GloboNews — Brasília. Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados )
