Quinta-feira, 19 de março de 2026
Redenção

Megamapeamento no Pará vai recalcular o tamanho real do lago de Tucuruí

No coração da Amazônia paraense, uma operação de engenharia sem precedentes está em curso para desvendar um dos segredos mais bem guardados da Usina Hidrelétrica de Tucuruí: sua real capacidade de armazenamento de água. Com uma potência instalada de 8.370 Megawatts (MW), a usina, uma das maiores do planeta, é uma peça-chave no tabuleiro energético nacional. Saber com exatidão o volume de seu gigantesco reservatório é fundamental para otimizar a geração de energia e prevenir futuras crises de abastecimento.

Para responder a essa pergunta, uma força-tarefa tecnológica foi mobilizada. A missão, com conclusão prevista para meados de 2026, utiliza uma combinação de perfilamento a laser aéreo (LiDAR) e aerofotogrametria de altíssima resolução. Essa tecnologia permite criar um modelo digital tridimensional ultradetalhado da região, capturando imagens com uma precisão impressionante, onde cada pixel representa menos de 10 centímetros no solo.

O desafio geográfico é monumental. O reservatório, que se estende entre os municípios de Tucuruí e Marabá, é um complexo labirinto de água e terra, abrigando milhares de ilhas. A área total a ser mapeada é de 6.742 quilômetros quadrados, uma extensão superior à do Distrito Federal.

A complexidade da operação exigiu um planejamento estratégico minucioso. Os voos de mapeamento foram iniciados em novembro de 2025, aproveitando o período de estiagem, quando o nível do reservatório atinge seu ponto mínimo.

(Correio de Carajás; foto: divulgação)