Três trabalhadores submetidos a condições análogas às de escravo foram resgatados de uma fazenda de pecuária no município de São Félix do Xingu, no sul do Pará. A fiscalização, realizada no dia 23 de agosto de 2026, flagrou degradação humana, com violações à segurança, saúde e dignidade das vítimas.
As informações foram divulgadas da quarta-feira (9). No total, cinco funcionários foram localizados no estabelecimento, dos quais três foram resgatados.
De acordo com os fiscais, os três homens resgatados utilizavam a varanda de uma das casas da propriedade como alojamento habitual. O local não tinha paredes, portas ou qualquer tipo de fechamento que protegesse o grupo do frio e da chuva.
A ação foi coordenada por auditores-fiscais do trabalho vinculados à Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), com a participação do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Polícia Federal (PF).
Dois dos trabalhadores utilizavam redes próprias armadas na estrutura da varanda. O terceiro, que estava com a rede rasgada, dormia sobre um pedaço de espuma colocado diretamente no chão de concreto, sem cama ou estrado, segundo a SIT.
Não havia armários para guardar pertences pessoais, e as roupas ficavam penduradas em pregos ou guardadas em recipientes improvisados.
Como resultado da fiscalização, o empregador foi obrigado a regularizar a situação trabalhista das vítimas.
Os contratos de trabalho foram formalizados retroativamente no sistema eSocial, com o recolhimento do FGTS e das contribuições previdenciárias.
O fazendeiro teve de pagar mais de R$ 32 mil aos trabalhadores, divididos em:
R$ 26 mil referentes às verbas rescisórias dos contratos;
R$ 6 mil como indenização por danos morais individuais (R$ 2 mil para cada vítima).
Os resgatados também receberão o seguro-desemprego especial, concedido por lei a trabalhadores resgatados de regime de escravidão contemporânea.
O Ministério do Trabalho e Emprego informou que lavrou os autos de infração pelas irregularidades constatadas e que o caso seguirá sob investigação dos órgãos competentes para a responsabilização administrativa e criminal do proprietário.
(O Liberal. Foto: crédito Polícia Federal)
