O líder do governo no Senado, senador Jaques Wagner (PT-BA), confirmou que indicou o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski para atuar como consultor jurídico do Banco Master. O contrato era de R$ 250 mil por mês e continuou por quase dois anos após a ida de Ricardo Lewandowski para o Ministério da Justiça do governo Lula (PT).
Em nota, Jaques Wagner disse que “foi consultado sobre um bom jurista e lembrou de Ricardo Lewandowski”. Questionada sobre quem o consultou, a assessoria de Jaques Wagner informou que ele foi procurado pela direção do Banco Master, sem especificar por qual pessoa.
Na mesma nota, Wagner reiterou que não teria sido o responsável pela indicação do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega para o Master. No caso de Mantega, o contrato seria ainda maior: cerca de R$ 1 milhão por mês. O objetivo seria ajudar a viabilizar a venda do Master para o BRB.
Na nota, Wagner diz que “jamais participou” da indicação de Guido Mantega. Sobre Lewandowski, diz: “neste caso o senador Jaques Wagner foi consultado sobre um bom jurista e lembrou de Ricardo Lewandowski, que havia acabado de deixar o Supremo Tribunal Federal. Seguramente, o banco achou a sugestão adequada e o contratou”, diz a nota enviada pela assessoria.
Embora Wagner não tenha dito quem o procurou na direção do banco, a principal relação do líder do governo no Master era com o ex-sócio de Vorcaro e ex-CEO do Master, o economista baiano Augusto Ferreira Lima.
Foi Lima quem criou, em 2018, o cartão Credcesta. Trata-se de um produto de crédito consignado para servidores públicos, operando inicialmente no governo do Estado. O negócio prosperou sob as gestões petistas na Bahia: o partido governa o estado desde 2007, quando Jaques Wagner tornou-se governador.
O contrato entre o Master e o escritório Lewandowski Advocacia foi assinado em 28 de agosto de 2023, e os pagamentos prosseguiram até setembro de 2025, quando Lewandowski já estava no Ministério da Justiça havia 21 meses — ele assumiu o cargo em janeiro de 2024.
Ao todo, o contrato com o Master rendeu cerca de R$ 6,5 milhões brutos ao escritório da família de Lewandowski, dos quais R$ 5,25 milhões foram pagos após a ida dele para o Ministério da Justiça.
(Metrópoles/Andre ShaldersAndreza Matais. Foto: Metrópoles)
