A operação da primeira turbina da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará, completa uma década nesta terça-feira (5). O início da operação comercial e do funcionamento da primeira turbina, em 5 de maio de 2016, marcou a história da região na geração de energia para o país e nos danos socioambientais, que resultaram em ações judiciais que se arrastam há anos, incluindo na Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH).
A usina localizada em Altamira, no sudoeste do Pará, é maior hidrelétrica totalmente brasileira e a quinta maior do mundo, segundo a Norte Energia, empresa que tem a concessão. O que começou com menos de cinco turbinas e com uma geração de 611 MW tem, atualmente, 18 turbinas. Em 10 anos, a usina gerou 255.193.675 MWh.
A Usina produziu energia suficiente para abastecer todo o país por cinco meses, chegando a atender até 16% da demanda nacional, em horários de pico. Em média, a usina consegue atender 5% da demanda nacional por ano, o que consolidou o empreendimento como um dos mais importantes do Sistema Elétrico Brasileiro, segundo a Norte Energia.
Apresentada como um projeto estratégico para a autonomia energética do Brasil, a usina resultou em energia, mas também em impactos às comunidades na região, principalmente pelo desvio do curso natural do rio Xingu, que corta diversos municípios.
Entre os pontos críticos está o desvio do curso do rio, compensações ainda pendentes e os impactos a pescadores. Segundo eles, há escassez de peixes devido às mudanças na reprodução das espécies desde a construção da hidrelétrica.
As comunidades mais atingidas são os povos indígenas, as populações ribeirinhas e os pescadores artesanais que vivem ao longo do rio. Para esses grupos, o rio não é apenas uma fonte de recursos, mas o centro de sua cultura, território e modo de vida.
(Por Cristiane Prado, Valéria Martins, Taymã Carneiro, g1 Pará / TV Liberal — Belém. Foto: Norte Energia)
