Investigação da Polícia Federal (PF) aponta que o senador Ciro Nogueira (PP) recebia repasses mensais do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que chegaram a R$ 500 mil por mês. Nogueira foi alvo de busca e apreensão nesta quinta-feira (7/5), na quinta fase da Operação Compliance Zero.
Ainda segundo os investigadores da PF, a relação entre o senador e o banqueiro extrapolava a “mera amizade“, o “vínculo fraternal” ou “atuação política regular“, e configura trocas financeiras e políticas, que são descritas na apuração.
Entre essas trocas, a PF destaca:
A aquisição de participação societária estimada em aproximadamente R$ 13 milhões pelo valor de R$ 1 milhão;
Repasses mensais de R$ 300 mil, ou mais – considerando relatos de que o montante teria evoluído para R$ 500 mil;
A disponibilização gratuita, por tempo indeterminado, de imóvel de elevado padrão; e
Pagamento de hospedagens, deslocamentos e demais despesas inerentes a viagens internacionais de alto custo.
Repasses mensais para Ciro Nogueira
De acordo com as investigações, os repasses para o senador eram feitos por meio da “parceria BRGD/CNLF“, pessoa jurídica. As operações eram tocadas por Felipe Cânçado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro. Cânçado é apontado como operador financeiro no esquema de pagamentos ao senador.
No caso, a sigla BRGD se refere à empresa BRGD S.A., que tinha como diretor Oscar Vorcaro, pai de Felipe Cânçado. A outra sigla da parceria se refere à CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., administrada formalmente por Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, que é irmão de Ciro Nogueira e também foi alvo da Polícia Federal nesta quinta.
Em conversas interceptadas pela Polícia Federal, Felipe cita os pagamentos de R$ 300 mil e de R$ 500 mil em diversas ocasiões com Daniel Vorcaro. Em alguns dos diálogos, o primo do banqueiro revela preocupação com os altos valores repassados a Ciro Nogueira.
(Metrópoles/Carinne Souza. Foto: Reprodução/Metrópole)
