“Deixe nada além de pegadas, tire nada além de fotos, leve nada além de saudades”, diz a placa na entrada de Uiramutã, em Roraima, sobre as riquezas naturais do município. É o mesmo lugar que, segundo o Índice de Progresso Social (IPS), do instituto Imazon, tem a pior qualidade de vida do país.
O IPS mede a qualidade de vida nos municípios com base em 57 indicadores sociais e ambientais reunidos em três áreas: Necessidades Básicas, Bem-Estar e Oportunidades. A nota vai de 0 a 100 e mostra como a população vive, e não somente o quanto a cidade produz ou recebe em investimentos. O Uiramutã tirou 42,44 e ficou no último lugar do país pelo terceiro ano seguido.
O título incomoda moradores, que destacam o patrimônio cultural e ambiental do território, marcado por um abandono estrutural histórico.
Para entender a realidade por trás dos números e o que significa qualidade de vida em Uiramutã, onde 96,6% dos habitantes se autodeclaram indígenas, o g1 foi até a sede do município — principal ponto de acesso a serviços públicos da região, onde ficam a prefeitura, a Câmara Municipal, postos de saúde, comércios, pousadas e um posto da Polícia Militar.
“Na minha opinião, essa declaração está errada. Você pode andar meia-noite pela rua e ninguém mexe com você. Diferente de outros lugares”, diz Valdinar dos Santos, de 62 anos, um dos moradores ouvidos pela reportagem. Há quase três décadas ele saiu do Piauí e vive na região: “É tanto que eu nem pretendo voltar”.
“Aqui é sossegado, tem paz, tranquilidade, só precisa de pessoas para tomar conta do município”, complementa a comerciante Cristiane Lima, de 47 anos. Ela acredita que embora o Uiramutã seja pacato, é necessário melhorar a gestão pública para progredir nos indicadores.
(Por João Gabriel Leitão, g1 RR — Uiramutã, RR. Foto: João Gabriel Leitão/g1 RR)
