Uma operação internacional realizada no domingo (21) levou à apreensão de uma carga suspeita de transportar dezenas de toneladas de cocaína escondidas em madeira em Mato Grosso do Sul na fronteira do Brasil com a Bolívia. A ação ocorreu em Corumbá (MS) e em Cáceres (MT) e pode resultar na maior apreensão de cocaína já registrada no Brasil.
A operação, batizada de Timber Shield, foi coordenada pela Receita Federal com apoio da Polícia Federal, Exército Brasileiro, autoridades da Bolívia e dos Estados Unidos.
Segundo a Receita Federal, a cocaína não estava armazenada em tabletes ou pacotes, como ocorre na maioria das apreensões. Os criminosos encharcaram a madeira com a cocaína, que estava em estado líquido.
Esse método é considerado sofisticado e tem sido utilizado por organizações criminosas para dificultar a identificação da droga durante inspeções em portos, estradas e fronteiras. A técnica altera a aparência da carga e permite que a substância ilícita seja transportada junto com um produto aparentemente legal.
Onde a carga foi encontrada?
As autoridades monitoravam o esquema após receberem informações de inteligência compartilhadas entre Brasil, Estados Unidos e Bolívia.
Segundo a Receita Federal, análises de inteligência compartilhadas por autoridades dos Estados Unidos e pela Aduana da Bolívia indicavam a possibilidade real de que a carga estivesse contaminada com cocaína. A suspeita levou ao monitoramento dos caminhões ainda na região de fronteira.
A partir dessas informações, equipes iniciaram uma fiscalização reforçada na fronteira e interceptaram oito caminhões carregados com madeira.
Do total, quatro veículos foram retidos em Corumbá (MS) e outros quatro em Cáceres (MT).
Durante as inspeções, um cão farejador demonstrou interesse excessivo na carga, reforçando as suspeitas das equipes de fiscalização e contribuindo para o aprofundamento das análises. As cargas somam aproximadamente 260 toneladas de madeira.
Testes preliminares realizados pelas equipes de perícia apontaram indícios da presença de cocaína na carga. No entanto, a confirmação definitiva ainda depende das análises laboratoriais conduzidas pela Polícia Federal, que acompanha a custódia dos caminhões e a investigação do caso.
(Por Mirian Machado, g1 MS — Mato Grosso do Sul. Foto: Receita Federal)
